Por Raimundo Junior
Pelo menos em algum momento tédio é o que
comumente se espera de uma peça de 5 horas. Contudo, em O Livro de Itens do
Paciente Estevão, em cartaz no SESC Belenzinho, o tédio fica sendo apenas a
patologia do personagem Estevão, interpretado de uma forma básica – porém
interessante - por Leonardo Medeiros.
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| Guilherme Weber, Danilo Grangheia e Leonardo Medeiros. Foto: Fernando Donasci |
Somos, hoje, facilmente encontrados em
“domínios” da internet, que nos levam da vida de um a vida de outro em um
clique, que nos permitem opinar sobre qualquer assunto a qualquer hora, de
forma contextualizada ou não, em 140 caracteres de um twitter ou em páginas de
jornais online e blogs. E, sobretudo, queremos dar esta opinião e, com
isto, afirmar a nossa existência e relevância.
Nestes domínios, Guilherme Weber, Georgette
Faddel e Danilo Grangheia desenvolvem uma interpretação segura, com personagens
que praticamente têm linhas delineadoras contornando-os em um cenário
inteligente e imutável, com um fiat 147 prateado/reluzente em meio aos
figurinos de Cassio Brasil. Servem totalmente ao drama e pipocam referências a
cada ato. Nesse ambiente, uma parábola é contada com a clareza de um discurso
nazista; um conto sobre acontecimentos determinantes na infância vira mote para
toda a peça. Pequenas histórias servem ao texto completo, mas também têm luz
sobre si mesmas e assim compõem a leveza do espetáculo.
Os
hiperlinks, com seus assuntos que se encerram em si mesmos (mas que também
compõem o enredo) dão a dinamicidade da obra e, por isso, o tempo de espetáculo
não pesa. Ele pode ser assistido com a fluidez de quem navega na internet: de
uma página se vai a outra por uma nota no rodapé, uma foto leva a outro site,
algumas palavras eróticas te colocam em outra e um red line exótico nos fazem chegar
em domínios nos quais nunca havíamos pensado em estar quando o computador fora
ligado. A pós-modernidade fluida, assim como os jogos exacerbados do capital
são, nesta peça, profundamente decupados e bem enquadrados.

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