Por Tiago Afonso
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| Maria Luisa Mendonça em A Falecida. Direção de Marco Antonio Braz. Foto: João Caldas |
Todos os últimos espetáculos que a instituição produz tem um
nome “conhecido” no personagem titulo. Mas, até ai morreu Neves. O mais
importante é que de alguma maneira eles conseguem levar milhares de pessoas ao
teatro por mês. A questão fica para uma próxima discussão: o que leva tantos
apreciadores a ver essas produções? O “conhecido”? A encenação?
All rigth, vamos dispensar apresentações sobre o autor,
afinal um centenário em sua homenagem só revela o quão grande, influentes e
irreverentes são suas obras. Diz ele: O
brasileiro não está preparado para ser o maior do mundo em coisa nenhuma. Ser o
maior do mundo em qualquer coisa, mesmo em cuspe à distância, implica uma
grave, pesada e sufocante responsabilidade.
No duro, a direção do Braz nesse espetáculo não nos traz o
invisível do texto, o que realmente Nelson quer nos mostrar com sua primeira
tragédia carioca: o cotidiano vulgar dos brasileiros, a falta de dinheiro, as doenças, o dedo no nariz das
crianças, as pernas cabeludas de uma mulher, as cartomantes picaretas e o lado
mais grosseiro da vida. É uma encenação simples. De fio a pavio: nada é novo,
os atores não se entregam ao jogo, não pintam o sete em cena, não se tornam
reais, a fulana que interpreta Zulmira, apesar de ser um biju em cena, se perde
em meio a multidão.
Ah, o palco italiano. Cada dia tem sido mais estranho o
publico não fazer parte da representação, quando também somos parte dela,
carambolas! Termos que ficar ali, como plateia, no escuro, perdidos, não nos
torna parte da representação, quando poderíamos estar em um grande jogo de
futebol, lutando e gritando por Zulmira, por Tuninho, Pimentel e Timbira. Já
dizia Nelson: “Uma torcida não vale a pena pela
sua expressão numérica. Ela vive e influi no destino das batalhas pela força do
sentimento”.

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