sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O Livro de Itens do Paciente Estevão

Por Thiago Tavares

Com dramaturgia escrita sobre a obra “The Subject Steve”, de Sam Lipsyte, a montagem conta com ótimos atores, boa dramaturgia, mas não consegue segurar um espetáculo de 4h30min.
Dirigida por Felipe Hirsch, que parece ter mergulhado na cultura pop, tem uma riqueza na produção com figurinos e cenários bem executados. Porém, não emociona, é fria, com um ritmo que segue ralentado, com cenas quase que sem propósito feitas apenas para os atores e não para o público.
Não fossem as excelentes interpretações, “O Livro de Itens do Paciente Estevão” seria um espetáculo tedioso, tentando mostrar a fragilidade da vida humana.
Espetáculo da Sutil Cia. Direção de Felipe Hirsch. Foto: Divulgação
Com vibrante atuação, Georgette Fadel dá certo frescor à “Sutil Companhia”. Ao lado, Guilherme Weber (co-fundador da cia) e Leonardo Medeiros, que interpreta o protagonista Estevão com excelência e constrói um personagem emocionante, levando  a rápida identificação por todo o público. O personagem é um herói anônimo do nosso tempo, diagnosticado com uma doença sem cura. Entregar a vida e a morte é a grande questão.
A cenografia de Daniela Thomas e Felipe Hirsch fazem do espaço cênico um lugar apertado, transmitindo todas as angústias de Estevão. É auxiliada pela excelente iluminação de Beto Bruel e pela trilha sonora de Hirsch, tornada  um dos melhores elementos da peça.
Com a nova e mais ambiciosa montagem, a “Sutil Companhia” nos apresenta um  espetáculo que se torna longo, cansativo e repetitivo em várias sequências, mas possui um elenco de grande talento. Há qualidades, mas o resultado parece ser apenas dos atores e diretor, como se estivessem ainda no processo de pesquisa. Não conseguem mostrar de fato o que o espetáculo pretende. Entretanto, em se tratando da Sutil Companhia assistir a montagem é um dever.

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